Rio de Janeiro - Um julgamento de alto impacto marcado para esta quarta-feira (4). A partir das 13h, o III Tribunal do Júri da Capital recebe o caso de Cíntia Mariano Dias Cabral, de 49 anos, acusada de envenenar dois enteados com "chumbinho" em 2022, resultando na morte da jovem Fernanda Cabral e na tentativa de homicídio contra o irmão dela, Bruno Cabral, que tinha 16 anos à época.
Segundo a denúncia do Ministério Público, em 15 de março de 2022, Cíntia teria colocado o veneno na refeição servida a Fernanda. A jovem passou mal logo após comer, foi levada ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, zona oeste do Rio, ficou 13 dias internada e não resistiu. Na época, a morte foi inicialmente registrada como natural.
Dois meses depois, em maio de 2022, o mesmo método teria sido repetido contra Bruno. O adolescente apresentou sintomas similares, mas a mãe desconfiou de envenenamento e o levou rapidamente ao hospital — o atendimento célere salvou a vida dele. Laudos periciais confirmaram intoxicação exógena por carbamato, princípio ativo do chumbinho, nas duas vítimas.
(Foto: Reprodução)
Motivação e confissão relatada
As investigações apontam que ciúmes da relação dos enteados com o marido teriam motivado os crimes. A própria filha biológica de Cíntia relatou, em audiências anteriores, que a mãe teria confessado ter matado Fernanda e tentado envenenar Bruno.
Como funciona o júri e o que está em jogo
O julgamento será conduzido por sete jurados — cidadãos sorteados — responsáveis por decidir pela condenação ou absolvição. MP e defesa podem recusar até três jurados cada. Caso condenada por homicídio qualificado com emprego de veneno, a pena pode variar de 12 a 30 anos de reclusão, conforme o art. 121, §2º, III, do Código Penal.
Histórico de adiamentos
O julgamento acumula atrasos: em 2023, o TJRJ decidiu que Cíntia iria a júri e manteve sua prisão preventiva. Em outubro de 2025, a sessão precisou ser interrompida após a defesa abandonar o plenário.