BRASIL - No Dia Internacional da Mulher, a filha Leisiane Cruz Vieira decidiu tornar pública a morte da mãe, Leise Aparecida Cruz, de 40 anos, assassinada na manhã de sexta-feira (6) dentro da própria casa, na Rua Professora Cleusa Batista, em Anastácio, a 122 quilômetros de Campo Grande. O suspeito é o marido, Edson Campos Delgado, de 43 anos, que confessou o crime após contradições no relato apresentado à polícia.
De acordo com as investigações, o crime ocorreu por volta das 7h da manhã. Mas Leisiane só desconfiou que algo estava errado horas depois — porque, às 8h30, ainda recebeu uma mensagem enviada do celular da mãe: "Bom dia flor do dia". Era exatamente como Leise costumava cumprimentar a filha todos os dias. A jovem respondeu normalmente e, por um longo período, acreditou que a mãe estava viva.
Ao final da noite, por volta das 23h, Edson entrou em contato dizendo que a mulher estava passando mal e que havia chamado socorro. Às 1h58 da madrugada do sábado, ligou para o marido de Leisiane informando que Leise havia morrido. Naquele momento, a família ainda acreditava se tratar de um problema de saúde.
Asfixia desvenda o crime
A suspeita de homicídio surgiu a partir do exame inicial realizado pelo Instituto de Medicina e Odontologia Legal (IMOL), que identificou sinais de asfixia no corpo de Leise. Diante das evidências e das contradições no depoimento, Edson acabou confessando que discutiu com a esposa, a segurou pelo pescoço e a empurrou contra a parede, momento em que ela morreu.
Antes de admitir o crime, o suspeito chegou a levantar a hipótese de suicídio e, segundo os Metrópoles, tentou culpar um remédio emagrecedor que ela tomava, o Mounjaro. Nenhuma das versões resistiu à perícia.
Histórico de abuso
Em depoimento e em relato publicado nas redes sociais, Leisiane descreveu o padrão de comportamento do padrasto ao longo do relacionamento: "Ele era um doce, um anjo, muito carinhoso. Quando foram morar juntos, ele começou a ser completamente possessivo. Controlava o dinheiro dela, fazia violência financeira para que ela não pudesse sair de casa".
Segundo a filha, Leise sofria dentro desse relacionamento e chegou a mencionar a possibilidade de denunciá-lo, mas não chegou a concretizar o passo. O casal tinha um filho de três anos, que passou a ficar sob os cuidados dos avós após o crime.
MS soma seis feminicídios em 2026
Edson Campos Delgado foi preso em flagrante e permanece à disposição da Justiça. O caso é o sexto feminicídio registrado no Mato Grosso do Sul em 2026 e integra um cenário preocupante de violência contra a mulher em todo o país.
Em caso de violência doméstica, a população pode acionar o Ligue 180, serviço gratuito e disponível 24 horas, ou o 190 em situações de emergência.