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Passagens para Parintins chegam a R$ 9,5 mil no festival e governo federal é cobrado

Tarifa da Azul para o trecho Manaus–Parintins sobe mais de 1.500% durante o evento; Senacon será acionada para investigar abusos

Passagens para Parintins chegam a R$ 9,5 mil no festival e governo federal é cobrado

MANAUS - Passagens aéreas da companhia Azul para o trecho Manaus–Parintins durante o Festival Folclórico de Parintins 2026 estão sendo comercializadas por mais de R$ 9.500 — preço considerado abusivo para um voo de pouco mais de uma hora. Diante da falta de ação do governo federal, o deputado federal Amon Mandel (Cidadania-AM) vai acionar a Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon) e encaminhou novos questionamentos à ANAC para investigar a prática.

Voos para o Festival de Parintins chegam a R$ 9,5 mil e alta acumula 1.500%

Fora da temporada do festival, as passagens entre Manaus e Parintins custam, em média, entre R$ 300 e R$ 600. Durante o evento, os valores saltam para cifras superiores a R$ 5 mil — e, neste ano, chegaram a R$ 9.500, representando uma alta de mais de 1.500%. A situação é apontada como recorrente e, segundo relatos recentes, se agravou em relação a anos anteriores.

Os dados operacionais do próprio governo federal confirmam o volume expressivo de movimentação: durante o Festival de 2024, o aeroporto de Parintins registrou 209 voos entre os dias 24 e 30 de junho, além de 10 cancelamentos e vários atrasos relevantes. O cenário evidencia que a demanda é alta, mas a oferta não acompanha — e o consumidor arca com o desequilíbrio.

Governo federal diz que não pode intervir e cita liberdade tarifária

Em resposta ao Requerimento de Informação nº 1248/2025, encaminhado ao Ministério de Portos e Aeroportos, o governo federal afirmou que o setor aéreo opera sob regime de liberdade tarifária, previsto na Lei nº 11.182/2005. A nota oficial sustentou que o poder público não tem prerrogativa para intervir diretamente na definição de preços praticados pelas companhias.

A resposta frustra quem esperava medidas concretas. Em março de 2025, durante debate sobre aviação regional promovido pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), em Brasília, o ministro do Turismo, Celso Sabino, chegou a afirmar não acreditar que as empresas elevem preços apenas para aumentar lucros no período do festival — declaração que não se traduziu em nenhuma providência efetiva.

Companhias se beneficiam de isenção de ICMS, mas passagens seguem caras

No Amazonas, as companhias aéreas já usufruem de reduções do ICMS sobre o querosene de aviação, benefício fiscal criado justamente para estimular as rotas regionais e baratear as passagens. Mesmo assim, os preços disparam na época do festival e os cancelamentos de voos permanecem frequentes. Para especialistas, a concentração do mercado nacional em apenas três grandes companhias reduz a concorrência e favorece a elevação das tarifas.

O cenário levanta questionamentos sobre a eficácia da política de aviação regional no Norte do Brasil. Especialistas do setor defendem uma revisão do modelo atual, com medidas que incentivem novos entrantes na rota Manaus–Parintins e criem mecanismos de controle nos períodos de alta demanda, como o do Festival Folclórico.

Deputado aciona Senacon e encaminha novos pedidos à ANAC

Diante da ausência de respostas concretas, o deputado federal Amon Mandel (Cidadania-AM) anunciou que vai acionar a Senacon para investigar possíveis práticas abusivas na venda de bilhetes para o festival. Em paralelo, novos questionamentos formais foram enviados à ANAC com pedido de dados detalhados sobre os últimos cinco anos da rota Manaus–Parintins.

O novo requerimento à agência reguladora solicita:

  • Companhias que operaram o trecho nos últimos 5 anos
  • Oferta de voos e assentos por temporada
  • Evolução das tarifas e variação histórica durante o festival
  • Fatores estruturais que explicam a baixa concorrência na rota
  • Número de cancelamentos e atrasos registrados no período do evento


Perguntas frequentes sobre passagens para o Festival de Parintins

Por que as passagens para o Festival de Parintins são tão caras?

A demanda alta durante os três dias do festival, aliada à baixa concorrência na rota Manaus–Parintins, faz as tarifas subirem mais de 1.500%. Apenas três companhias dominam o transporte aéreo nacional, o que limita a concorrência e favorece preços elevados. O governo federal afirma não ter poder para intervir, pois o setor opera sob liberdade tarifária.

Qual é o preço médio da passagem Manaus–Parintins fora do festival?

Fora do período do Festival Folclórico de Parintins, as passagens no trecho Manaus–Parintins custam, em média, entre R$ 300 e R$ 600. Durante o evento, os valores chegaram a R$ 9.500 em 2026, uma alta de mais de 1.500% em relação à tarifa habitual.

O governo pode fazer algo contra tarifas abusivas em passagens aéreas?

Diretamente sobre preços, não — a Lei nº 11.182/2005 garante liberdade tarifária às companhias. Porém, a Senacon pode investigar práticas abusivas e a ANAC pode fiscalizar a qualidade dos serviços. Parlamentares também podem pressionar por políticas que estimulem concorrência nas rotas regionais.

Quando é o Festival de Parintins 2026 e como chegar a Parintins?

O 59º Festival Folclórico de Parintins acontece nos dias 26, 27 e 28 de junho de 2026. É possível chegar por via aérea (Manaus–Parintins) ou fluvial, de barco pelo Rio Amazonas, com saída de Manaus. A viagem de barco leva em torno de 18 a 24 horas e costuma ser a alternativa mais acessível para quem busca fugir das tarifas aéreas elevadas.

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