Japão - uma prática inusitada de bem-estar tem ganhado espaço ao convidar participantes a deitar dentro de caixões para meditar e refletir sobre a própria existência. Conhecida como coffin-laying, a proposta é usar a consciência da morte como um “espelho” para reduzir o nervosismo e reforçar a valorização da vida.
(Foto: Reprodução Kajiya Honten/Instagram/Reprodução)
A experiência é apresentada como um ambiente controlado e seguro: a pessoa entra na urna por um período determinado e, durante a sessão, é estimulada a contemplar a finitude, o que pode mudar a forma como lida com medo, ansiedade e prioridades. Em algumas empresas, a imersão foi adotada como uma dinâmica reversível de “ensaiar a morte” com o objetivo de aliviar pensamentos intrusivos, estresse e, em casos relatados, até crises ligadas à ideação suicida.
Em Tóquio, espaços especializados passaram a oferecer versões variadas do serviço — de caixões decorados e “fofos” a sessões acompanhadas por música e vídeos. Um dos locais citados nesse mercado cobra cerca de US$ 13 (aproximadamente R$ 65) por 30 minutos, sinal de que a prática também vem sendo tratada como produto acessível dentro do setor de autocuidado.
O movimento também alcançou um viés educacional: em 2024, a designer Mikako Fuse, ligada à empresa Grave Tokyo, teria levado a proposta para workshops na Universidade de Kyoto. A intenção, segundo a abordagem divulgada, é desmistificar o medo do falecimento e incentivar o que ela chama de “desejo de viver”.