Gasolina dispara e chega a R$ 7,29 em Manaus, a mais cara entre as capitais do país

umento de até R$ 0,30 foi registrado em apenas um dia nos postos da capital; tensão no Oriente Médio e custos logísticos pressionam os preços na regiã

Gasolina dispara e chega a R$ 7,29 em Manaus, a mais cara entre as capitais do país

MANAUS - O preço da gasolina voltou a subir nos postos de Manaus e colocou a capital amazonense no topo do ranking nacional entre as capitais com combustível mais caro do país. Em alguns estabelecimentos, o litro da gasolina comum passou de R$ 6,99 para R$ 7,29 neste sábado (7), alta de cerca de R$ 0,30 em apenas um dia, enquanto a versão aditivada chegou a R$ 7,49.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Manaus ocupa agora o primeiro lugar no ranking das capitais com gasolina mais cara, seguida por Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), São Luís (MA) e Brasília (DF). O reajuste foi percebido desde as primeiras horas da manhã e, conforme consumidores e revendedores consultados, não houve aviso prévio sobre a mudança nos valores.

Um problema estrutural e de mercado

O padrão de preços elevados em Manaus não é novo. Desde a privatização da Refinaria de Manaus (Ream), em 2022, o preço da gasolina no Amazonas acumula alta de 52,6%, saltando de R$ 4,60 para valores acima de R$ 7 por litro. Especialistas apontam que a Ream, atualmente controlada pelo grupo Atem, deixou de processar o petróleo extraído em Urucu (AM) e transferiu a atividade de refino para São Paulo, encarecendo o preço final para os consumidores amazonenses.

Além disso, a carga tributária — incluindo o ICMS — e os elevados custos logísticos para o transporte do combustível até a região Norte somam-se ao preço de refinaria já mais elevado, criando uma combinação que sustenta os valores mais altos do país na capital.

Cenário externo pressiona preço nas bombas

O conflito no Oriente Médio trouxe novo vetor de pressão sobre o preço do barril de petróleo nos mercados internacionais. Analistas alertam que o risco de bloqueio no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, impacta diretamente os custos de importação e tende a se refletir nos preços ao consumidor, especialmente em regiões com menor capacidade de refinamento local, como o Amazonas.​

Na sexta-feira (6), levantamento semanal da ANP já havia indicado que o preço médio da gasolina no Brasil subiu de R$ 6,28 para R$ 6,30, confirmando a tendência de alta em todo o território nacional.