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EUA classificam PCC e CV como ameaças regionais e podem anunciar rótulo terrorista em dias

Departamento de Estado confirma preocupação com facções brasileiras; Brasil rejeita classificação e teme brechas para intervenção externa

EUA classificam PCC e CV como ameaças regionais e podem anunciar rótulo terrorista em dias

MUNDO - O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que considera o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como "ameaças significativas à segurança regional", citando o envolvimento das duas facções com tráfico de drogas, violência e crime transnacional. Em nota ao Metrópoles, um porta-voz do órgão foi além: "Estamos plenamente comprometidos em tomar as medidas apropriadas contra grupos estrangeiros que se envolvem em atividades terroristas."

A declaração ganha peso diante de informações de que a documentação para incluir PCC e CV na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) já foi finalizada internamente no Departamento de Estado e aprovada por diferentes agências do governo Trump. O anúncio formal, que ainda precisa ser comunicado ao Congresso americano e publicado no Registro Federal, pode ocorrer nos próximos dias — um trâmite que costuma levar cerca de duas semanas.

O que muda com a classificação

A inclusão na lista FTO não é simbólica. A medida implica congelamento de ativos de integrantes nos Estados Unidos, restrição total ao sistema financeiro americano e proibição de qualquer forma de apoio material — incluindo fornecimento de armas — por cidadãos ou empresas norte-americanas às facções. O processo segue o mesmo modelo aplicado recentemente ao Cartel de Jalisco, do México, e ao Tren de Aragua, da Venezuela.

Escudo das Américas

O movimento em relação ao PCC e ao CV se insere em uma ofensiva mais ampla da administração Trump no continente. Em 7 de março, o presidente assinou formalmente a criação do Escudo das Américas, uma coalizão militar com 17 países da América Latina voltada ao combate de cartéis e organizações criminosas transnacionais. A cúpula de lançamento ocorreu em Miami e contou com a presença dos presidentes da Argentina, Javier Milei, de El Salvador, Nayib Bukele, do Paraguai e de outras nações — com as notáveis ausências do México e da Colômbia.

Brasil rejeita e teme intervenção

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem rejeitado sistematicamente qualquer tentativa de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas. Uma das justificativas legais é que a legislação brasileira tipifica terrorismo apenas como crimes motivados por razões religiosas, ideológicas, políticas ou de cunho preconceituoso — definição que não abrange as facções criminosas.

Mas a preocupação vai além do campo jurídico. Nos bastidores, o governo brasileiro teme que a classificação abra brechas para intervenções externas no país, em um cenário comparável ao da Venezuela, onde os EUA têm bombardeado embarcações desde julho de 2025 sob pretexto de combate ao narcotráfico. Diante do avanço do tema em Washington, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, buscou contato direto com o secretário de Estado Marco Rubio para tentar frear a medida.

Véspera de encontro entre Lula e Trump

O timing da classificação é delicado. A iniciativa ocorre às vésperas de uma reunião entre os presidentes Lula e Trump, ainda sem data definida após desencontros de agenda e o início do conflito dos EUA com o Irã. O tema promete ser um dos pontos mais sensíveis do encontro, com o governo brasileiro com o sinal de alerta ligado para evitar que a questão das facções sirva de pretexto para pressões sobre a soberania nacional.


Fonte: Metrópolis

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