Boa Vista - A tentativa de retirada de moradores de uma área em disputa no bairro Mecejana, zona sul de Boa Vista, teve novo capítulo nesta quarta-feira (4), quando policiais militares e oficiais de Justiça retornaram à avenida Glaycon de Paiva para dar andamento ao cumprimento de uma ordem de imissão de posse em favor de uma empresa. A medida — usada quando o proprietário busca assumir o imóvel e ainda não tem o controle físico do terreno — envolve uma área de 37 mil m², segundo a versão apresentada pela parte que reivindica a propriedade.
No local, ao menos 15 famílias afirmam viver há muitos anos e relatam que foram surpreendidas com a chegada de maquinário e equipes para retirada de móveis, sem que todas tivessem sido intimadas previamente. Diante do temor de demolições e perdas, moradores chegaram a posicionar carros para impedir a passagem de tratores e procuraram a Defensoria Pública para tentar barrar a medida.
Suspensão determinada pela Justiça
Ainda durante a tarde, uma decisão judicial suspendeu os atos de retirada e paralisou a imissão de posse, interrompendo, por ora, qualquer avanço da empresa sobre a área. Conforme relatos do caso, a suspensão foi estendida para proteger os demais moradores que estavam sendo alcançados pela ação, “congelando” a situação até que haja análise mais aprofundada sobre o direito de posse e eventuais pedidos de usucapião.
O processo tramita na 3ª Vara Cível e, segundo informações do caso, seis famílias já tinham uma decisão anterior, de dezembro de 2025, garantindo permanência temporária enquanto o processo coletivo segue. Entre elas está a estudante Daiane Rodrigues Garcia, de 22 anos, que diz morar no local desde bebê, após a família permanecer na área depois do falecimento do pai, que teria trabalhado para a empresa.
Disputa e contraponto da empresa
De acordo com os moradores, a disputa formal começou em 2012, quando a empresa passou a reivindicar a área. Já representantes da empresa sustentam que estão apenas cumprindo uma sentença transitada em julgado, fruto de um litígio que se arrasta há mais de duas décadas, e afirmam que tentaram encaminhar um entendimento em 2025. Os moradores contestam essa versão e dizem que não receberam proposta de indenização ou suporte para reassentamento.