BRASIL - O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresentou piora da função renal e elevação dos marcadores inflamatórios, segundo boletim médico divulgado neste sábado (14) pelo Hospital DF Star, em Brasília. Internado na UTI desde a manhã de sexta-feira (13) com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral, ele segue estável clinicamente, mas sem previsão de alta da Unidade de Terapia Intensiva. Médicos alertam para o "risco de evento potencialmente mortal" associado ao quadro.
Boletim aponta piora da função renal e sem previsão de alta da UTI
O comunicado divulgado pelo DF Star neste sábado detalha o protocolo em curso:
"Mantém o tratamento com antibióticos e hidratação por via endovenosa, fisioterapia respiratória e motora, além das medidas de prevenção de trombose venosa. Não há previsão de alta da UTI neste momento."
A piora das funções renais e a elevação dos marcadores inflamatórios — entre eles a procalcitonina, proteína que sobe de forma expressiva em infecções bacterianas graves — indicam que o organismo do ex-presidente ainda trava um combate intenso contra a infecção pulmonar. A equipe médica afirmou que a velocidade de agravamento do quadro nas primeiras horas chamou atenção.
Médico alerta sobre risco de morte e classifica como a pior pneumonia de Bolsonaro
O médico Cláudio Birolini, que acompanha Bolsonaro, foi direto ao avaliar a gravidade da situação:
"Já tínhamos alertado nos relatórios sobre os riscos de pneumonia aspirativa, e novamente temos que lidar com essa situação bastante crítica. Isso realmente coloca em risco a vida do paciente. No momento, a situação do presidente Bolsonaro é estável, mas o risco de um evento potencialmente mortal surge mais uma vez nessas circunstâncias."
O cardiologista Bráulio Caiado reforçou a gravidade:
"Esta pneumonia é mais acentuada em relação às outras que ele já teve e exige um cuidado especial."
Os médicos projetam que Bolsonaro permanecerá internado por pelo menos 7 dias, podendo chegar a 14 dias a depender da resposta do organismo aos antibióticos. O ex-presidente já faz uso de 7 medicamentos diários exclusivamente para o sistema digestivo.
Bolsonaro está consciente e médicos descartaram entubação
Apesar da gravidade do quadro, há sinais positivos nas primeiras horas de tratamento. O cardiologista Leandro Echenique, que acompanha o ex-presidente no DF Star, atualizou o estado clínico na noite de sexta:
"Agora ele está consciente, está conseguindo falar melhor. O desconforto respiratório foi amenizado. Então, nessas primeiras oito horas de tratamento ele estabilizou. Está melhor, mas longe de estar em um quadro controlado."
Os médicos confirmaram que Bolsonaro não precisou ser entubado até o momento. O tratamento com suporte clínico não invasivo segue sendo suficiente para manter a oxigenação. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, visitou o pai no hospital na sexta e afirmou que ele está lúcido, porém debilitado, e que os médicos classificaram esta como a internação mais grave desde o início da detenção.
Histórico de internações desde a prisão em janeiro de 2026
Esta não é a primeira crise de saúde de Bolsonaro desde que passou a cumprir pena. O histórico recente inclui:
- Setembro de 2025 — Ainda em prisão domiciliar, apresentou vômitos, tontura e queda de pressão arterial
- Janeiro de 2026 — Internado na Superintendência da PF após passar mal e bater a cabeça em um móvel da cela
- Janeiro de 2026 — Transferido para a Papudinha a pedido da defesa, com estrutura médica 24h, fisioterapia e barra de apoio na cama
- 14 de março de 2026 — Na UTI do DF Star com broncopneumonia bacteriana bilateral e piora renal
A defesa do ex-presidente já apresentou ao STF diversos pedidos de prisão domiciliar com base na fragilidade do estado de saúde. Todos foram negados pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. Em fevereiro, uma junta médica da Polícia Federal atestou que o quadro demanda cuidados, mas que Bolsonaro tem condições de permanecer na Papudinha.
Perguntas frequentes sobre a internação de Bolsonaro na UTI
Por que Bolsonaro está internado na UTI em março de 2026?
Bolsonaro foi internado na manhã de sexta-feira (13) no Hospital DF Star, em Brasília, após apresentar febre alta, queda na saturação de oxigênio, sudorese e calafrios na Papudinha. Exames confirmaram broncopneumonia bacteriana bilateral de origem aspirativa. No sábado (14), um novo boletim apontou piora da função renal e elevação dos marcadores inflamatórios.
Bolsonaro corre risco de morte com a broncopneumonia?
Sim, segundo o médico Cláudio Birolini, há "risco de evento potencialmente mortal". A pneumonia aspirativa pode evoluir para insuficiência respiratória grave. Porém, o ex-presidente está estável, consciente, não foi entubado e responde ao tratamento com antibióticos venosos e fisioterapia.
O que é broncopneumonia bacteriana bilateral e por que é grave?
É uma infecção bacteriana que acomete os dois pulmões ao mesmo tempo, geralmente de origem aspirativa — quando conteúdo do estômago é inalado para as vias respiratórias. O quadro é considerado grave especialmente em pacientes com múltiplas comorbidades, como é o caso de Bolsonaro, pois pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória e sepse.
Quando Bolsonaro pode ter alta da UTI no Hospital DF Star?
Não há previsão de alta no momento. Os médicos estimam que o ex-presidente ficará internado por pelo menos 7 dias e possivelmente 14, dependendo da resposta ao tratamento com antibioticoterapia venosa. O boletim deste sábado (14) confirma que ele permanece sem previsão de saída da UTI.